Em 25 de janeiro de 1663 deu-se início à atividade postal regular no Brasil. A data é comemorada como o Dia do Carteiro, profissionais que representam atualmente quase 60% dos empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Presente em todos os municípios do país, com uma logística que faz as grandes empresas de varejo, nacionais e internacionais, se agitarem na expectativa de arrematá-la numa anunciada privatização, a ECT conseguiu, em poucos anos, passar de uma instituição de maior credibilidade do país para o rol das líderes em reclamação pelo serviço prestado.
Como os Correios não realizam concurso desde 2011, os atuais funcionários - os mais novos com quase dez anos de empresa -, com média salarial de R$ 2000,00 teriam que equacionar o vertiginoso aumento de serviço ocasionado pelo comercio virtual e a diminuição do efetivo com aposentadorias, demissões voluntárias e mortes para conseguirem prestar um serviço que merecesse elogio.
Para efeito de comparação, o serviço postal americano, o United States Postal Service, que também é público e está presente em todo o território americano, tem 630 mil trabalhadores para uma população aproximada de 330 milhões de habitantes, e o correio brasileiro tem 100 mil funcionários para uma população aproximada de 200 milhões de habitantes. Apesar de sofrer concorrência com outras gigantes que prestam serviço de qualidade, como FedEx e UPS, o serviço postal americano é aprovado por mais de 90% dos usuários - como fora a ECT até 15 anos atrás.
Já se cogitou a privatização do serviço nos EUA, mas segundo Ana Lúcia Pinto Silva, professora de economia da Mackenzie, politicamente, é muito difícil privatizar um serviço que tem aprovação da quase totalidade da população. Sobre a privatização da ECT, a professora dia que "o Brasil tem que garantir que os preços não sejam exorbitantes para os locais mais distantes dos grandes centros. Por isso, a conta que é preciso fazer é quanto custará regular, subsidiar e oferecer isenção fiscal mesmo que privatize a empresa".
De acordo com Ana Lúcia, talvez seja vantajoso que se mantenha o serviço postal público em países de grandes dimensões, como Canadá e Russia. "São países muito grandes e com áreas de difícil acesso, difícil de fazer o controle dessa entrega em regiões longínquas. Talvez seja essa a explicação de manter um serviço público. E em países ricos, menores, o setor privado consegue fazer a alocação de recursos e dar lucro com um pouco mais de facilidade".
Alguns países que privatizaram seus serviços postais não tiveram muito o que comemorar depois, como foi o caso da Argentina e Portugal. A empresa que adquiriu a estatal da Argentina parou de pagar e o serviço retornou ao controle estatal. Atualmente encontra-se em crise e amarrada a imbróglio judicial. Portugal estuda o mesmo caminho do nosso vizinho, com parlamentares e sindicatos tentando a retomada do serviço devido os baixos índices de qualidade.
Hoje os funcionários da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos completam 23 dias de greve e a principal reivindicação é a manutenção da miséria que são seus salários, o pior entre as estatais brasileiras, e os benefícios aceitos em negociações coletivas pretéritas que substituíam a contento o que deveria ser aumento em seus salários. Mas a empresa quer mesmo é retirar o que ultrapassar aquilo que a lei trabalhista oferece como mínimo, e a população sofre com essa queda de braço anual.
No dia em que o governante da vez se importar com a população, certamente o Brasil terá uma empresa postal pública com serviço de qualidade. Se houver greve, não será pela manutenção do péssimo, com esta, mas para exigir investimento na melhoria da qualidade do que deverá estar bom.
Com UOL conteúdo

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