Pular para o conteúdo principal

AS MUDANÇAS NOS BENEFÍCIOS SOCIAIS. As Medidas Provisórias 664 e 665 trazem mudanças significativas na concessão dos benefícios sociais.



O governo federal publicou na noite desta terça-feira (30), em edição extraordinária do Diário Oficial da União, as medidas provisórias 664 e 665, que alteram as regras da concessão de benefícios previdenciários e trabalhistas, entre eles a concessão do seguro-desemprego.


Anunciadas no dia anterior pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, as medidas alteram regras do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e da Previdência Social, aumentando o rigor para a concessão do abono salarial, do seguro-desemprego, do seguro-defeso dos pescadores artesanais, a pensão por morte e o auxílio-doença. Segundo o governo, as mudanças vão acarretar uma economia de R$ 18 bilhões ao ano a partir de 2015.

Técnicos dos ministérios da Fazenda, da Previdência Social, do Trabalho e Emprego e do Planejamento detalharam, hoje, as alterações. Entre as principais estão as que determinam novas regras para a concessão do abono salarial e do seguro-desemprego, que começa a valer em 60 dias.

Atualmente, o trabalhador pode solicitar o seguro após trabalhar seis meses. Com as novas regras, ele terá que comprovar vínculo com o empregador por pelo menos 18 meses na primeira vez em que requerer o benefício. Na segunda solicitação, o período de carência será 12 meses. A partir do terceiro pedido, a carência voltará a ser seis meses.


De acordo com o diretor de Programas da Secretaria Executiva do Ministério da Fazenda, Manoel Pires, também haverá alteração no pagamento das parcelas. Pela regra atual, o trabalhador recebe três parcelas se tiver trabalhado entre seis e 11 meses. Para receber quatro, ele tem que ter trabalhado entre 12 e 23 meses e para receber cinco parcelas tem que ter trabalhado pelo menos 24 meses.

“Agora na primeira solicitação ele vai receber quatro parcelas se tiver trabalhado entre 18 e 23 meses e vai receber cinco parcelas se tiver trabalhado a partir de 24 meses”, explicou Pires. “Na segunda solicitação, o trabalhador vai fazer jus a quatro parcelas se ele tiver trabalhado entre 12 e 23 meses e cinco parcelas a partir de 24 meses. Na terceira, nada muda, vale a regra anterior”.

O governo também vai aumentar a carência do tempo de carteira assinada do trabalhador que tem direito a receber o abono salarial. Antes, quem trabalhava somente um mês e recebia até dois salários mínimos tinha acesso ao benefício. Agora, o tempo será de, no mínimo, seis meses ininterruptos. Outra mudança será o pagamento proporcional ao tempo trabalhado, do mesmo modo que ocorre atualmente com o décimo terceiro salário, já que, pela regra atual, o benefício era pago igualmente para os trabalhadores, independentemente do tempo trabalhado.

As regras introduzidas agora terão impacto maior a partir de 2016. Para o trabalhador que adquiriu o direito por ter trabalhado em 2014, vale a regra atual. “As regras novas para o abono terão impacto financeiro, em sua maioria, em 2016, em função desses trabalhadores terem adquirido o direito em 2015”, disse.

Também serão alteradas as regras para a concessão do seguro-desemprego do pescador artesanal, conhecido como seguro-defeso. Agora o governo vai impedir o acúmulo de benefícios assistenciais e previdenciários com o seguro. O benefício de um salário mínimo é pago aos pescadores que exercem a atividade de forma exclusiva durante o período em que a pesca é proibida, visando à reprodução dos peixes.

Segundo a medida, para receber o benefício haverá uma carência de três anos a partir da obtenção do registro de pescador. Hoje a carência é um ano. O beneficiário também terá que ter contribuído pelo período mínimo de um ano para a Previdência Social.

Além disso, a concessão do benefício não será extensível às atividades de apoio à pesca e nem aos familiares do pescador profissional que não satisfaçam os requisitos e as condições estabelecidas na MP.

O pescador profissional artesanal também não fará jus a mais de um benefício de seguro-desemprego no mesmo ano decorrente de defesos relativos a espécies distintas. As medidas começam a valer em 90 dias.

Além das medidas trabalhistas, as MPs também alteram as regras para a concessão de pensão por morte, com o estabelecimento de uma regra de carência mínimo de dois anos de casamento ou união estável para que o cônjuge receba a pensão. A exceção é para os casos em que o óbito do trabalhador ocorrer em função de acidente de trabalho, depois do casamento ou para o caso de cônjuge incapaz.

A nova regra de cálculo do benefício também estipula a redução do atual patamar de 100% do salário de benefício para 50% mais 10% por dependente. Não terá direito à pensão o condenado pela prática de crime doloso que tenha resultado na morte do segurado. As novas regras começam a valer em 60 dias

O auxílio-doença também sofrerá alteração. O teto do benefício será a média das últimas 12 contribuições e o prazo de afastamento a ser pago pelo empregador será estendido de 15 para 30 dias, antes que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passe a arcar com o auxílio-doença.


Também haverá mudanças nas perícias médicas. A MP estabelece a possibilidade do governo fazer parcerias com empresas para que elas façam a avaliação médica dos empregados para a concessão do benefício, que deverá ser homologada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). As regras para as parcerias ainda serão publicadas em decreto.

Fonte: JusBrasil

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL.

A partir do século XVIII, os folhetos de feira, chamados em Portugal de "folhas volantes" ou "folhas soltas", passaram a ser conhecidos também como literatura de cego, devido a uma lei promulgada por Dom João V, autorizando o comércio dos folhetos pela Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa. Na Espanha e nos países de língua espanhola da América Latina, os folhetos de cordel são conhecidos como "pliegos sueltos" e também são chamados de "hojas" e "corridos". Especialmente na Argentina, México, Nicarágua e Peru, usando temas semelhantes aos da literatura de cordel nordestina. Na Alemanha, com a maior parte do conteúdo em prosa, eram impressos nas tipografias e vendidos nos mais diversos lugares, como universidades, igrejas, feiras, mercados, etc., com ilustrações em xilogravuras. Era comum haver indicação de melodia para o acompanhamento do folheto em versos. Há comprovação de que na Holanda do século XVII, havia o...

MÉDICA RECUSA-SE A ATENDER IDOSO DE 91 ANOS. Médica de Ruy Barbosa, na Bahia, nega atendimento a idoso com braço quebrado.

O descaso com a saúde pública é algo corriqueiro. Nas grandes ou pequenas cidade não é difícil encontrar um caso de mazela, seja por falta de leitos, de remédios ou de profissional de plantão. Ma este caso ocorrido em Ruy Barbosa na Bahia, terra natal de Otto Alencar, vice-governador e o médico mais ilustre que a cidade já teve, não tem explicação lógica. No domingo, dia 19, um idoso de 91 anos foi levado de ambulância para a Santa Casa de Misericórdia com um braço quebrado e vomitando, mas a médica de plantão recusou-se a atendê-lo. O paciente, Sr. Zeca, estava com o atendimento marcado para o dia seguinte com o médico Rodriguinho, mas pelo seu estado frágil e a desidratação causada pelos vômitos e o calor de quase quarenta graus, necessitava de uma avaliação médica imediata. Mas a médica, Dra. Josele Silva, com seus anos de experiência em medicina e seu gosto apurado por música alta, não viu assim. Deixou o paciente aguardando gemendo dentro da ambulância. Inconformada com a...

MANIFESTAÇÕES POR VOTO AUDITÁVEL

            Neste domingo, 01 de  agosto, acontecem manifestações por todo o Brasil a favor do voto eletrônico auditável.  Depois da interferência do ministro Roberto Barroso na comissão que avalia a implementação da impressão do voto na eleição de 2022, o presidente da República, Jair Bolsonaro, fez uma live  mostrando  evidências de inúmeras fraudes ocorridas nas eleições com uso das urnas eletrônicas inauditáveis, além de tecer duras críticas ao STF, em especial ao ministro Barroso, que é também o presidente do TSE, Tribunal Superior Eleitoral.           As manifestações, que estavam programadas havia dias, ganharam força com esse episódio. Os manifestantes, apoiadores do governo, viram no movimento de Barroso uma interferência indevida e suspeita no processo. Depois que o ministro se reuniu com presidentes de partidos políticos, vários membros da comissão que eram a favor da impressão dos votos foram tro...