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UM JUDICIÁRIO SITIADO.O Supremo Tribunal Federal, única casa que parecia independente, já não é tão diferente das outras.


O julgamento dos embargos infringentes foi uma coisa parecida com a acusação de uso de "caixa dois"pelo PT. Desta vez bastou trocar o nome "quadrilha" por "co-autores" e tudo se resolveu. 
Como se formação de quadrilha não dependesse da autoria dos crimes dos seus membros. Se os mensaleiros não fossem co-autores dos crimes pelos quais pagam pena, então não seriam mesmo uma quadrilha. Só sendo co-autor para fazer parte do bando. Mas o pensamento dos ministros, dotados de notável saber jurídico, é inverso: por serem co-autores, não formam quadrilha.
Claro que co-autores não significa integrantes de quadrilha de criminosos, mas todos os participantes de uma quadrilha de criminosos são co-autores dos crimes que praticam.

Quando veio à tona a acusação de uso de "caixa dois", o PT rebateu dizendo que não era nada disso. Aquilo que a mídia tentava usar para sujar o nome de um partido ético (o único) era na verdade "ativos não contabilizados". Os companheiros que votaram no PT, que aguardavam atônitos e ansiosos por uma resposta, se sentiram aliviados. O Partido dos Trabalhadores não é disso, eles sabiam. "Ativos não contabilizados" é MUITO diferente de "caixa dois"... Isso só pode ser coisa do PSDB, da Globo e principalmente da revista Veja.

Depois disso, tudo que levasse ao envolvimento criminoso de algum integrante do partido, passava a ser tentativa de golpe midiático-político.

"Quando indicamos alguém, damos a ele um emprego vitalício". Disse Lula, referindo-se aos membros do Supremo Tribunal Federal em evento do seu partido, lembrando aos magistrados por ele indicados que eles lhe deviam gratidão. E que essa gratidão deveria ser demonstrada no julgamento dos criminosos do PT.
E foi.
Exceto por um.
O único indicado erradamente por Lula, principalmente por ser negro e para mostrar ao povo brasileiro que os pobres, negros e as mulheres, antes marginalizados e excluídos por outros presidentes, teriam espaço em seu governo. O que Lula não esperava era que esse negro não se tornaria escravo do patrão que lhe dava um emprego vitalício. Ele não sabia que Joaquim Barbosa era um homem capaz de exercer seu papel de magistrado sem medo de contrariar seu "dono".

O destemperado Joaquim Barbosa, cujo tempero da polidez foi arrancado pelo cinismo dos seu pares partidários de siglas políticas, é o único ministro do STF isento nesse julgamento.
Os ministros que livraram os criminosos do aumento da pena, o fizeram por gratidão ao (ex?) presidente Lula. Alguns ainda tentaram fundamentar seus votos usando argumentos frágeis como a comparação entre "quadrilha" e "co-autores", mostrando que essas duas definições são tão diferentes uma da outra quanto "caixa dois" é de "ativos não contabilizados".
Outros sequer se deram a esse trabalho. Limitaram-se a dizer não acreditar que os criminosos (tão amigos) formassem uma quadrilha entre si.
Os que votaram contra os criminosos também o fizeram por razões políticas. Caso os réus fossem de partidos pelos quais eles tem vínculos, usariam de  outros argumento, jurídicos e não jurídicos, para votarem diferente.

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