UMA HISTÓRIA DE AMOR DEPOIS DE UM ACIDENTE QUASE FATAL. Ele nunca havia segurado a mão de uma mulher tão bonita.
salvar Magna (Foto: Airton Neves/Arquivo Pessoal)
Uma tragédia que virou história de amor. A frase pode até parecer clichê, mas é assim que o casal Nilton Natalino Neves, de 47 anos, e Magna Sousa Carrijo, de 48 anos, se refere ao relacionamento que começou no dia 31 de outubro de 2013, data em que a dona de casa foi resgatada pelo vendedor de Ribeirão Preto após sofrer um acidente de carro pela BR-364 próximo a Rondonópolis, no estado de Mato Grosso. Neves, que socorreu Magna após vê-la capotar ribanceira abaixo, diz que o sentimento quando a pegou nos braços após retirá-la do veículo foi arrebatador. "Foi como se tivesse aberto um baú de tesouro. Enxerguei uma luz maravilhosa", conta.
Acaso ou destino, o encontro de Neves e Magna pode ser
classificado como, no mínimo, curioso. Na semana do acidente, Neves teve um
problema com o caminhão e atrasou a viagem para Jaciara (MT) em dois dias. Já
Magna, que nunca foi de viajar, resolveu visitar amigos em Rondonópolis (MT),
cidade a 500 quilômetros de Rio Verde (GO), onde ela morava. "Saí de
Ribeirão para viajar no dia 29 de outubro, uma terça-feira. O caminhão quebrou
duas vezes, e acabou atrasando o percurso em dois dias. Eu achava que aquilo
era para me proteger de alguma coisa. Hoje eu penso que se nada tivesse
acontecido com meu caminhão, eu jamais iria cruzar com a Magna na
estrada", conta o vendedor.
Com o atraso no percurso, Neves só chegaria a seu destino na
tarde de quinta-feira, 31 de outubro. Naquele dia, o vendedor seguia pela
BR-364, quando avistou uma cena que chamou sua atenção. "Um carro me
seguiu por uns 30 quilômetros tentando me ultrapassar. A pista é simples e
tinha muitos caminhões. Comentei com meu irmão, que estava comigo na viagem,
que o homem devia estar com bastante pressa. Até então eu pensava que era um
homem dirigindo. Na hora da ultrapassagem, percebi que era uma mulher no
volante. Ainda pensei: que Deus a acompanhe", afirma.
Quilômetros à frente, Neves ainda conseguia avistar o carro
de Magna na estrada. A dona de casa ainda ultrapassou dois bitrens e uma
caminhonete, até que perdeu o controle do veículo e saiu da rodovia. "Um
pneu saiu para o acostamento, ela voltou com o carro, atravessou a pista na
contramão, voltou para o lado que estava e se perdeu. Aí ela bateu em uma
árvore e desceu a ribanceira capotando", diz.
O resgate
O vendedor parou o caminhão no acostamento e desceu o
barranco onde o carro estava Segundo
Neves, era impossível abrir as portas do veículo, completamente destruído. Para
conseguir resgatar Magna, o vendedor precisou quebrar o para-brisa. "Ela
ainda estava consciente, então pedi para ela proteger o rosto e quebrei o vidro
com um pedaço de madeira. Foi aí que aconteceu uma coisa inexplicável. Foi como
se tivesse aberto um baú de tesouro. Enxerguei uma luz maravilhosa",
explica.
Magna conta que não se lembra exatamente do momento do
acidente, mas tem nítida na memória a imagem do vendedor se aproximando de seu
carro. "Me senti protegida quando ele apareceu. Caí num barranco, e meu
medo era ninguém aparecer e eu morrer ali. Quando ele surgiu, vi que era um
anjo da guarda na minha vida", diz.
Logo após retirar Magna do carro, Neves conta que a dona de
casa desmaiou. Outras pessoas que passavam pela estrada também pararam para
prestar socorro. Com a ajuda delas, o vendedor deitou a vítima no chão, até que
a dona de casa retomasse a consciência. Neves conta que passou o tempo todo
conversando com Magna e tentando acalmá-la.
"Peguei o telefone da família dela e comecei a ligar para
avisar do ocorrido. Todos os parentes estavam muito distantes, e não tinha como
eles chegarem até o local do acidente. Nesse momento já vi que eu não
conseguiria abandoná-la", diz. Com a demora na chegada da ambulância, o
desespero de Magna aumentou. "Ela sofre de síndrome do pânico e começou a
se desesperar. Peguei na mão dela, fiquei segurando e disse: nunca segurei a
mão de uma mulher tão bonita. Ela conseguiu olhar para mim e dizer
obrigada."
Pedido de casamento.
Com a chegada da ambulância, Neves acompanhou Magna até um
hospital em Rondonópolis, cerca de 80 quilômetros do local do acidente. Lá, o
vendedor acompanhou os exames feitos pela dona de casa e tomou coragem para
fazer uma proposta um tanto inusitada para o momento: pediu Magna em casamento.
"Estava com ela na sala de exames, quando ela virou
para mim e disse que não sabia o que fazer para agradecer o apoio que eu estava
dando. Eu só disse: Simples, casa comigo. Na hora ela deu risada e disse que
não daria certo. Disse que eu era caminhoneiro, viajante, e que ela era muito
agarrada nos relacionamentos. Aí ela foi transferida para um quarto e a
enfermeira perguntou se éramos casados. Aproveitei e disse à mulher que eu
tinha acabado de pedir a Magna em casamento, mas que ela não queria. Nisso ela
já deu uma risada na cama e disse que isso [casamento] era coisa de se
pensar", afirma.
em MT (Foto: Airton Neves/Arquivo Pessoal.
Neves então deixou o hospital e continuou sua viagem até
Jaciara. Na volta, passou pelo hospital em Rondonópolis, mas Magna já havia
deixado a unidade. O vendedor voltou para Ribeirão Preto (SP), e continuou
mantendo contato com a dona de casa por telefone. Oito dias depois, Neves e
Magna combinaram de se encontrar pessoalmente. "A família dela queria me
conhecer e ela brincava no telefone que eu precisaria ir até Rio Verde para
oficializar o pedido de casamento. Eu ia viajar a trabalho para Goiás naquela
semana, e resolvi ir", diz.
E foi. Na noite de 8 de novembro, Neves comprou roupa nova,
montou uma cesta de chocolates e foi até a casa de Magna. Após horas de
conversa com os familiares da pretendente, rolou o primeiro beijo do casal.
"Até então eu tinha levado aquele pedido de casamento na brincadeira.
Achava que ele estava fazendo aquilo para me descontrair, porque eu estava
sentindo muita dor. Mas quando ele apareceu na minha casa eu percebi que ele
estava realmente a fim de levar uma coisa séria", afirma Magna.
Vida a dois
Uma semana depois, o vendedor voltou novamente a Rio Verde -
e desta vez empenhado em carregar Magna na boleia do caminhão rumo a Ribeirão
Preto. E foi no fim do feriado de 15 de novembro que o casal pegou estrada
junto pela primeira vez. De lá para cá, Magna, agora recuperada do acidente,
passou a morar com Neves e o segue semanalmente nas viagens a trabalho.
"Foi uma tragédia que nos uniu. O Nilton foi um grande presente na minha
vida", diz a dona de casa.
O casal agora faz planos para o casamento. Para o vendedor,
o acidente, na verdade, foi uma nova chance de encontrar a felicidade.
"Conhecer a Magna foi para mim uma segunda oportunidade de viver. Eu
estava numa fase difícil e pensava só em morrer. No meio disso tudo ela
apareceu. Hoje eu penso que não fui em quem a salvei. Foi ela, naquele
acidente, quem me salvou", conclui.
Fonte: G1
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