APLICATIVO BRASILEIRO É PREMIADO NA CAMPUS PARTY. Criado para evitar tragédias, o Fi - Guardian foi o único projeto brasileiro a ser premiado na feira.
Nascido depois da tragédia da região Serrana do Rio de
Janeiro, em 2011, um conjunto de soluções informatizadas brasileiro para evitar
catástrofes e emitir alertas sobre elas foi o vencedor do Desafio Fi-Ware,
realizado na Campus Party 2014. O grupo levou para casa neste sábado (1) um
prêmio de 75 mil euros, aproximadamente R$ 250 mil.Iniciativa da Comunidade
Europeia e de empresas privadas, o Fi-Ware reúne diversas aplicações para
facilitar o desenvolvimento de novas ferramentas. Algumas das participantes do
consórcio são IBM, Nokia, Siemens e Telefónica, que liberam a programadores
alguns de seus serviços.
Segundo a equipe do Fi-Guardian, brasileira ganhadora da
categoria de Cidades Inteligentes, o desenvolvimento do sistema teria durado
até dois anos se não tivesse acesso a esse conjunto de tecnologias. A criação
da ferramenta durou um mês.
“A IBM tem o sistema chamado Proton, de análise de eventos,
que está lá. É como o Lego, que fornece peças para desenvolver soluções a
partir de tecnologias pré-existentes”, disse ao G1 um dos programadores da
equipe campeã, Marcos Marconi. O Fi-Guardian foi o único projeto brasileiro a
ser premiado no Desafio Fi-Ware, que distribuiu outros nove prêmios (cinco para
a categoria de Negócios Inteligentes, outros quatro para a modalidade de
Cidades Inteligentes). Os brasileiros irão disputar agora a etapa mundial do
Desafio.
“Os empreendedores não param de nos surpreender todos os
dias, mostrando o que eles podem fazer se dermos as ferramentas certas”, disse
Juanjo Hierro, arquiteto chefe e coordenador do Fi-Ware. Segundo a organização
da competição, foram enviadas 7 mil ideias diferentes.
O Fi-Guardian é um software que integra em um mesmo local
todas as fontes usadas pelo governo para gerenciar desastres naturais (Inea,
Cemaden, Inpi e Climatempo, por exemplo). Além disso, permite que as cidades
instalem novos sensores para expandir o gerenciamento de risco e fornecer mais
informações ao sistema.
A equipe de cinco desenvolvedores é natural de Nova
Friburgo, região serrana do Rio, que foi atingida por deslizamentos que deixaram
dezenas de pessoas mortas. “Tudo que a gente está colocando no projeto é da
nossa experiência real”, afirmou Marconi.
“Existe relatos de bombeiros que entravam nas casas e
encontravam crianças abraçadas a ursinhos de pelúcia e famílias reunidas que
poderiam ter sido salvas se tivessem sido avisadas.”
Depois de conectar as fontes oficiais de informação, o
segundo passo é dar às pessoas a oportunidade de avisar as autoridades via
aplicativos instalados em seus celulares sobre situações adversas, para
colaborar com a prevenção de situações de risco. Ainda na fase de protótipo, o
aplicativo será disponibilizado para iPhones e aparelhos que rodem Android.
“Uma pessoa em uma situação de perigo, que precise de ajuda,
da Defesa Civil, ou de alguma autoridade, consegue pedir ajuda pelo celular.
Isso vai chegar ao painel georefenciado das autoridades”, explica Marconi.
A colaboração tem dois objetivos. O primeiro é fazer com que
a própria população colabore para proteger sua comunidade. O segundo é
instigá-la a monitorar áreas de risco, como um rio que em tempos de cheia pode
provocar enchentes –o aplicativo dará acesso a câmeras de seguranças de
entidades oficiais.
Fora integrar dados de órgãos de gerenciamento e
permitir a colaboração popular, o aplicativo também terá um sistema de alerta
sonoro para cidadãos que estiverem próximos a regiões perigosas. “Dependendo da
localização onde a pessoa esteja, pode receber uma mensagem por voz avisando
dos pontos de abrigo mais próximos”, diz Marconi
Fonte: G1

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