Pular para o conteúdo principal

CULTURA NORDESTINA É DESRESPEITADA EM SALVADOR, BAHIA. Cordelistas são marginalizados em Salvador.


Mais de três meses após a remoção da Banca dos Trovadores da Literatura de Cordel na praça Cairu, em frente ao Mercado Modelo (Comércio), cordelistas e repentistas ligados à Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel continuam sem local para se apresentar. A banca foi retirada dia 21 de outubro durante ação de reordenamento dos vendedores ambulantes e artesãos.
O presidente da Ordem, Antônio Tenório Cassiano, 70, o   Paraíba da Viola, disse que o poder municipal os teria incluído indevidamente na categoria de vendedores ambulantes. "Na época, apresentei documentos, CNPJ e registro em cartório, não adiantou de nada", lamentou.
O cordelista  Antônio Ribeiro da Conceição, o Bule-Bule, 66, foi recebido na sexta-feira, 7, pela assessoria do presidente da Câmara, vereador Paulo Câmara (PSDB), mas ouviu a recomendação de retornar na próxima terça-feira para agendar uma audiência. "Também fui à prefeitura, mas não tem nada certo com o prefeito. Está difícil".
Paraíba foi à sede da Empresa Salvador Turismo (Saltur) na  quarta-feira para tentar trazer a banca de volta ao local onde funcionou durante 36 anos, mas  teria sido informado pelo diretor de marketing e serviços turísticos, George Barreto, de que o retorno ao local original não seria possível.
Fora da alçada
Segundo Barreto, a Saltur não tem como intervir em favor dos cordelistas por não ter poder de regular o funcionamento de atividades relacionadas ao comércio informal na cidade, atribuição da Semop. "A gente reconhece que o conteúdo que eles trabalham é importante culturalmente, sobretudo quando  em áreas turísticas, o que é bom para a cidade", disse Barreto, que continuou: "Mas a prefeitura não pode permitir a informalidade".
Ainda conforme Barreto, a banca da Ordem chegou a funcionar por um tempo no interior do Mercado Modelo, onde há 263 comerciantes. "Como eles não tinham licença, tiveram que sair".  Ao remover os ambulantes e artesãos da praça Cayru, a Semop ofereceu como alternativa àqueles que fizeram o cadastro trabalhar na avenida Sete de Setembro, Plano Inclinado Gonçalves ou mercado de artesanato do Bonfim, o que não agradou aos cordelistas, que alegaram "distância do centro".
Veto reafirmado
Procurada pela equipe de reportagem de A TARDE, a titular da Semop, Rosema Maluf, afirmou que a secretaria não vai permitir que barracas ou bancas, independentemente do segmento, ocupem de forma fixa o espaço da praça. Rosema orienta os cordelistas a entrarem  na Semop  com um processo de licenciamento de espaço público para que obtenham permissão para fazer apresentações rotativas na área.
"Ficaria ainda melhor se, junto à Fundação Gregório de Mattos, responsável pela cultura em Salvador, eles se cadastrassem como artistas locais, para serem incluídos em eventos do segmento", afirmou a gestora.

O desejo de proibir a venda de acarajé nas redondezas dos estádios demonstrado por Joseph Blatter é até compreensível pois ele não deve saber nada sobre a cultura baiana. Agora, ver o espaço ocupado pelos cordelistas há quase 40 anos ser extinto sumariamente pelo poder público como se se tratasse de um foco degradante de vendedores de produtos piratas, é inaceitável!

Há uma Petição Pública para a volta da "Banca de Cordel". Para assinar, acesse o link abaixo.

(Com conteúdo do Portal A Tarde).

Comentários