Nesta terça-feira, a copeira Dalva
Moreira da Costa admitiu que errou ao reconhecer Vinícius como o homem que
roubou sua bolsa no bairro do Méier, Zona Norte do Rio. Pai de Vinícius, o
tenente-coronel da reserva Jair Romão criticou o trabalho dos policiais, que se
contentaram com o depoimento da vítima em vez de investigar devidamente o caso.
"Meu filho estava saindo do trabalho quando foi preso,
acusado de um crime que não cometeu. Se a polícia tivesse feito uma apuração
séria, ele não estaria em um presídio. Vinícius não tentou fugir nem reagiu à
prisão. Ele trabalha, estuda e tem endereço fixo. Além disso, nenhum objeto da
vítima foi encontrado com ele. Como explicar a prisão?", desabafou Romão,
em conversa com o site de VEJA.
Vinícius, que trabalhou na novela Lado a Lado, da TV Globo,
foi preso quando saía de um shopping, onde trabalha como vendedor. De acordo
com os amigos, ele caminhava para casa quando foi abordado por PMs, que o
mandaram deitar no chão. Foi revistado e levado algemado para a 25ª DP (Engenho
Novo), onde a vítima o reconheceu. Para Romão, só esse depoimento não deveria
bastar. "Ela havia sofrido uma violência e, provavelmente, não tinha condições
de apontar com clareza o assaltante."
Falhas - A Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol)
informou nesta terça-feira ao site de VEJA que vai apurar se houve
irregularidades na prisão de Vinícius. Serão avaliadas as condutas do policial
civil Waldemiro Antunes de Freitas Junior, lotado na 11ª DP (Rocinha), que
abordou o ator e o encaminhou à delegacia, e do delegado de plantão William
Lourenço Bezerra, que registrou o flagrante.
Jair Romão conta que o policial civil afirmou na delegacia
que o ator admitiu ter passado a bolsa da vítima a um cúmplice identificado
como "Braço". Nesta terça-feira, a própria vítima esclareceu a
confusão bizarra que pode ter ocorrido. Segundo ela, Vinícius foi imobilizado
enquanto o agente perguntava onde estava a bolsa roubada. "Braço,
braço", disse ele, mas provavelmente em referência à força excessiva que
estaria sendo aplicada para prendê-lo.
"Esse policial vai ter que responder por isso",
afirmou o pai, que diz ter pensado em processar também o delegado Niandro Lima,
titular da 25ª DP, mas mudou de ideia. Vinícius está na Casa de Detenção
Patrícia Acioli, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio. Nesta terça, o
juiz Rudi Baldi Loewenkron, da 33ª Vara Criminal, determinou que ele responda
ao processo em liberdade. Até o início da noite, a Secretaria Estadual de
Administração Penitenciária (Seap) não havia recebido o alvará de soltura.

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