A comunidade de países que falam a língua portuguesa iniciou
em 1975 discussões com o objetivo de padronizar a ortografia do idioma e,
assim, facilitar a comunicação entre seus integrantes. A proposta é
interessante: respeitam-se as particularidades da língua em cada país, mas
estabelece-se uma regra comum para a forma como são representados os fonemas.
Assim, quando um brasileiro for ler uma palavra do léxico de Portugal que não é
comum por aqui, pode até não compreender o que significa, mas saberá como se
pronuncia.
A princípio, parece simples. Mas não é. A língua portuguesa
possui inúmeras regras de composição de palavras, acentuação, pontuação. Como
se não bastasse, praticamente toda regra tem suas exceções. Encontrar quem
saiba usar hífen sem nenhuma dúvida, por exemplo, é algo raríssimo. Coloque aí,
ainda, a diversidade linguística de 10 países que têm o português como língua
oficial, cada um com suas misturas regionais. Chegar a um consenso ainda é um
desafio.
O Acordo Ortográfico já foi definido e divulgado em 2009.
Deveria entrar em vigor no Brasil em janeiro de 2013, mas acabou adiado para
2016, tal qual em Portugal. E está longe de ser unanimidade. O movimento
Acordar Melhor, capitaneado pelo professor Ernani Pimentel, se mobiliza em prol
da simplificação do acordo. Segundo ele, a mudança poderia facilitar o
aprendizado e reduzir custos para o país.
“Hoje um estudante tem em média 400 horas de aula de
português, entre o ensino fundamental e o médio, e sai de lá sem saber a
diferença entre G e J, S e C. Com a ortografia simplificada, poderíamos ter 150
horas, com um resultado muito melhor. Isso melhoraria o aprendizado e geraria
menos gastos”, afirma Ernani.
As exceções
Para o professor, o principal problema da ortografia da
língua portuguesa são as exceções às regras. “Até nós que somos professores
precisamos ir constantemente ao dicionário para saber como se escreve uma
palavra ou outra, de tão complicado que é o nosso sistema. Por que “cor de
café” não tem hífen e “cor-de-rosa” tem? Por que “água-de-colônia” tem e “água
de cheiro” não? Ninguém sabe”, questiona Ernani.
Mobilização
O movimento Acordar Melhor está presente no grupo de
trabalho criado pela Comissão de Educação do Senado para reavaliar o acordo e
propor as mudanças. Na internet, o sitewww.simplificandoaortografica.com.br vai
começar a receber nos próximos dias propostas de professores e estudantes ao
projeto de simplificação. O espaço deve ficar aberto ao longo do primeiro
semestre deste ano. Em setembro, um modelo que será proposto como substituição
ao novo acordo será discutido Simpósio Internacional Linguístico Ortográfico da
Língua Portuguesa, em Brasília, com a participação de linguistas de diferentes
países que falam português.
Fonte: Simão Mairins, www.administradores.com, 17 de janeiro de
2014
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