PROMOTORIA ENTRA COM AÇÃO CONTRA INSTITUTO LULA E PREFEITURA DE S. PAULO. O terreno foi cedido de forma irregular para promoção política e individual do ex- presidente.
O Ministério Público do Estado ingressou judicialmente nesta
sexta feira, 17, com ação civil pública contra a Prefeitura e o Instituto Lula
por causa da área cedida à entidade no centro de São Paulo. Através da lei
municipal 15.573, de 31 de maio de 2012 (gestão Gilberto Kassab), o Município
de São Paulo foi autorizado a ceder ao Instituto Lula, mediante concessão
administrativa, independentemente de concorrência, pelo prazo de 99 anos, o uso
de áreas situadas na Rua dos Protestantes, Centro, para a instalação de
Memorial.
Para a Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social,
braço do Ministério Público, “o procedimento dos réus de facultar a divulgação
de acervo de apenas um ex-presidente (Lula) sem lei municipal de incentivo a
acervo presidencial constitui ferimento aos princípios da legalidade, igualdade
e da democracia e aos princípios da administração pública da impessoalidade,
publicidade, moralidade, eficiência previstos no artigo 37 da Constituição
Federal”.
A ação civil é subscrita pelos promotores Valter Foleto
Santin e Nelson Luís Sampaio de Andrade. “A situação se enquadra como
verdadeira doação indevida de recursos públicos ou de imóvel público (mesmo
temporariamente, mas por longos 99 anos) à entidade privada, beneficiada
totalmente pelo lucro político e pessoal de espaço público para promoção
pessoal do seu homenageado especial (Lula).”
“Não há interesse público devidamente justificado em cessão
de imóvel para instalação de Memorial do ex-presidente Lula em momento de
escassez de recursos e de terrenos públicos, longe do interesse do povo de
melhoria da sua qualidade de vida e efetivação dos direitos sociais”, assinalam
os promotores.
Eles pedem liminar para “abstenção dos réus de efetivação da
concessão de uso do imóvel ou do seu uso para memorial do ex-presidente Lula ou
outra utilização ou ocupação indevida”. Querem, ainda, fixação de multa de R$
20 mil por dia de descumprimento da medida.
Os promotores sustentam que “o próprio móvel da lei indica
desvio de finalidade, pois o ex-prefeito Gilberto Kassab procurou agradar e
favorecer o ex-presidente Lula, em busca de aliança político-partidária, em
lesão ao principio da impessoalidade”.
” O conchavo político prosseguiu até a eleição do atual
prefeito Fernando Haddad, do mesmo partido político de Lula (PT- Partido dos
Trabalhadores) e ainda continua em âmbito nacional, conforme inúmeras notícias
de veículos de comunicação.”
Segundo o Ministério Público, “a cessão do imóvel evidencia
intuito de facilitar publicidade pessoal ao ex-presidente Lula, em favoritismo,
com divulgação da sua imagem e memória pessoal e política, lesionando os
princípios da impessoalidade e publicidade”.
“É público e notório que o ex-presidente Lula mantém intensa
atividade político-partidária, influenciando governos e politicas
governamentais, empenhado na luta de conservação do poder do seu grupo político
e partidário, e o patrimônio público e social municipal não pode servir de
instrumento para tanto. Que o político lute e digladie na arena política da
forma democrática que bem lhe aprouver, mas sem recursos e bens públicos”,
assinalam os promotores Valter Santin e Nelson de Andrade.
“Infelizmente, mostrou-se infrutífera a esperança popular de
que o Parlamento paulistano fizesse a sua função de fiscalização e de
equalização da homenagem presidencial igualitária”, apontam. “Triste papel
subalterno do Legislativo! É lamentável o apequenamento do Legislativo frente
ao Executivo, na aprovação de projetos inadequados, ilegítimos e inaceitáveis, sendo
a autorização para concessão de uso do terreno mais uma decisão desastrosa. Sem
contar o aumento de tributos …”
Os promotores observam, ainda. “Infelizmente, o Parlamento
municipal descumpriu a sua obrigação de fiscalização do cumprimento das leis e da
sua interpretação correta. O Legislativo não pode apoiar atitudes absurdas do
administrador público! Aguarda-se que os parlamentares passem a cumprir com a
sua função constitucional de fiscalização e coibição dos desmandos
administrativos.”
Defesa. O Instituto
Lula informou que ainda não teve conhecimento da ação do Ministério Público
Estadual, assim não tem como comentar o caso.
O Instituto destaca que não se trata de uma doação de
terreno, mas de cessão, autorizada na legislatura anterior. O terreno ainda não
foi repassado para responsabilidade do Instituto Lula por causa de “trâmites
burocráticos”.
O Instituto assinala que sua sede não será instalada na área
cedida pelo Município. Segundo a assessoria do Instituto, no local deverá ser
construído o Memorial da Democracia e “não há intenção” de promoção do
ex-presidente Lula.
A prefeitura de São Paulo informou que ”vai apresentar suas razões” quando for
citada.
Fonte Jornal O Estado de S. Paulo (Fausto Macedo)

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