Pular para o conteúdo principal

MORADORES DE RUA REJEITAM VAGAS EM HOTEIS. Por não poderem levar seus cães, muitos dependentes recusam a proposta de morar em hotéis com direito a três refeições.

Com a proximidade da copa do mundo, os governantes estão tentando de tudo para "limpar" as ruas da maior cidade da América Latina. Primeiro foi o governador Geraldo Alkimin que tentou o tratamento forçado dos dependentes moradores da cracolândia. Mas nada forçado obtém êxito. Agora é a vez prefeito Haddad, com uma iniciativa louvável. O programa Braços Abertos oferece emprego de varrição de ruas e praças com jornada de quatro horas, moradia em hotel, três refeições, R$ 15,00 diários, inscrição em cursos profissionalizantes além do tratamento químico.
O que surpreende é o argumento de alguns dos moradores de rua para recusar adesão ao programa: não aceitam abandonar seu cães.
"Não vou a nenhum hotel porque não posso deixá-lo", diz o catador Cornélio Alves, 67, dono do cachorro Cabeção. " A gente divide a comida. Já passei o Natal três vezes com ele. Só eu e ele, comendo peru na calçada." Cornélio mora na Cracolândia há dezessete anos.

Mário, o cachorrinho que circula em um carrinho de supermercado é o motivo de seu dono, Orlando Paulo Barreto,35, continuar morando nas ruas. "Ele é como um filho pra mim."



Os que aceitam abandonar seus animais acabam sofrendo com a falta deles. Os animais também sofrem. Fábio Pereira da silva, 32, usando o uniforme do programa e a cadela Mel, que o aguarda na porta do hotel todos os dias. "As vezes venho aqui ver como ela está."
Meu o acompanha durante o trabalho. "Ela sempre me acompanha." Diz Fábio.
Menos paciente que Mel, o cão Sol uiva a noite toda na escada do hotel onde está sua dona, Sanderli Silveira Leite, de 32 anos.
Quem sabe nessa tentativa de limpar o centro das grandes cidades os políticos não encontram o verdadeiro tesouro da humanidade. Quem sabe não percebam que aquilo que é tratado como lixo é na verdade o melhor que existe na cidade. Quem sabe o amor dos cachorros não apontem para o amor que há nos corações daqueles que parecem enfeiar as praças.
Quem sabe!

Fonte: revista Veja


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

ORIGEM DA LITERATURA DE CORDEL.

A partir do século XVIII, os folhetos de feira, chamados em Portugal de "folhas volantes" ou "folhas soltas", passaram a ser conhecidos também como literatura de cego, devido a uma lei promulgada por Dom João V, autorizando o comércio dos folhetos pela Irmandade dos Homens Cegos de Lisboa. Na Espanha e nos países de língua espanhola da América Latina, os folhetos de cordel são conhecidos como "pliegos sueltos" e também são chamados de "hojas" e "corridos". Especialmente na Argentina, México, Nicarágua e Peru, usando temas semelhantes aos da literatura de cordel nordestina. Na Alemanha, com a maior parte do conteúdo em prosa, eram impressos nas tipografias e vendidos nos mais diversos lugares, como universidades, igrejas, feiras, mercados, etc., com ilustrações em xilogravuras. Era comum haver indicação de melodia para o acompanhamento do folheto em versos. Há comprovação de que na Holanda do século XVII, havia o...

MÉDICA RECUSA-SE A ATENDER IDOSO DE 91 ANOS. Médica de Ruy Barbosa, na Bahia, nega atendimento a idoso com braço quebrado.

O descaso com a saúde pública é algo corriqueiro. Nas grandes ou pequenas cidade não é difícil encontrar um caso de mazela, seja por falta de leitos, de remédios ou de profissional de plantão. Ma este caso ocorrido em Ruy Barbosa na Bahia, terra natal de Otto Alencar, vice-governador e o médico mais ilustre que a cidade já teve, não tem explicação lógica. No domingo, dia 19, um idoso de 91 anos foi levado de ambulância para a Santa Casa de Misericórdia com um braço quebrado e vomitando, mas a médica de plantão recusou-se a atendê-lo. O paciente, Sr. Zeca, estava com o atendimento marcado para o dia seguinte com o médico Rodriguinho, mas pelo seu estado frágil e a desidratação causada pelos vômitos e o calor de quase quarenta graus, necessitava de uma avaliação médica imediata. Mas a médica, Dra. Josele Silva, com seus anos de experiência em medicina e seu gosto apurado por música alta, não viu assim. Deixou o paciente aguardando gemendo dentro da ambulância. Inconformada com a...

APLICATIVO BRASILEIRO É PREMIADO NA CAMPUS PARTY. Criado para evitar tragédias, o Fi - Guardian foi o único projeto brasileiro a ser premiado na feira.

Nascido depois da tragédia da região Serrana do Rio de Janeiro, em 2011, um conjunto de soluções informatizadas brasileiro para evitar catástrofes e emitir alertas sobre elas foi o vencedor do Desafio Fi-Ware, realizado na Campus Party 2014. O grupo levou para casa neste sábado (1) um prêmio de 75 mil euros, aproximadamente R$ 250 mil.Iniciativa da Comunidade Europeia e de empresas privadas, o Fi-Ware reúne diversas aplicações para facilitar o desenvolvimento de novas ferramentas. Algumas das participantes do consórcio são IBM, Nokia, Siemens e Telefónica, que liberam a programadores alguns de seus serviços. Segundo a equipe do Fi-Guardian, brasileira ganhadora da categoria de Cidades Inteligentes, o desenvolvimento do sistema teria durado até dois anos se não tivesse acesso a esse conjunto de tecnologias. A criação da ferramenta durou um mês. “A IBM tem o sistema chamado Proton, de análise de eventos, que está lá. É como o Lego, que fornece peças para desenvolver soluções a ...